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O Tratado de Tordesilhas
O
Tratado de Tordesilhas definiu as áreas de domínio do mundo
extra-europeu. Demarcando os dois hemisférios, de pólo a pólo, deu a
Portugal o direito de posse sobre a faixa de terra onde se encontrava o Brasil:
ficou Portugal com as terras localizadas a leste da linha de 370 léguas
traçadas a partir de Açores e Cabo Verde, e a Espanha com as terras que
ficassem do lado ocidental desta linha.
O
direito de posse de Portugal sobre a faixa de terra onde se encontrava o
Brasil foi produto de crescentes rivalidades entre Portugal e Espanha
pelas terras do Novo Mundo, durante a segunda metade do século XV.
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A formação da Ilha de Santa Catarina Situada a 27*32`57 de longitude Oeste ( coordenadas referentes ao centro da cidade de Florianópolis), a Ilha de Santa Catarina possui uma superfície de 431 Km2, dispostos em forma alongada no sentido Norte-Sul, paralelamente ao continente, com 54 Km de comprimento contra 18 Km de largura. Sua orla mede 172 Km, compondo um contorno bastante recortado, pleno de baias e enseadas, pontas e promontórios, alem de vários ilhotas adjacentes. A Ilha é constituída de duas formas básicas de terrenos: os cristalinos antigos, formados durante o Pré-Cambriano Superior, e os sedimentares, de constituição recente. Os estudos geológicos indicam que esta formação se processou em duas grandes etapas: num primeiro momento, a submersão de ramificações litorâneas das serras cristalina deu origem a um grupo de cerca de 20 ilhas graníticas; num segundo momento, este arquipélago foi unificado pela sedimentação fluviomarinha e por um recente levantamento da costa. O canal que separa a Ilha do continente fronteiro, mais as duas baías, são, hipoteticamente, um antigo vale submerso. As partes mais elevadas da antiga cordilheira, não afogadas pela submersão, compuseram as unidades do arquipélago posteriormente desaparecido, que a sedimentação acabaria entremeando de praias e planícies. Entre elas destacavam-se duas ilhas principais, onde estão situados os pontos culminantes da Ilha atual: o Morro do Ribeirão, ao sul, e o Morro da Lagoa, ao norte, com 540 e 490 m de altitude, respectivamente. Ambas dispostas longitudinalmente, uma dando continuidade a outra, as duas grandes unidades formaram a coluna dorsal da Ilha de Santa Catarina, á qual as pequenas ilhotas vizinhas se aglutinaram, através da ação construtiva do mar. Duas falhas no processo de sedimentação acabaram ainda originando lagoas costeiras- a da Conceição, com 19,71 Km de superfície, e a do Peri, com 5,12 Km , compondo mais uma face da imensa variedade de acidentes geográficos, onde despontam morros, rios, pontas, costões, praias e dunas, que justificam inteiramente a reputação de paraíso natural granjeada pela Ilha de Santa Catarina.
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A Fundação de Nossa Senhora do Desterro
Embora bastante conhecida desde os primeiros anos após a expedição de Cabral, como escala quase obrigatória dos navegantes que demandaram os mares do Sul ou, mais tarde, como ponto de referência da bandeiras vicentistas,a Ilha de Santa Catarina só receberá povoamento português efetivo em meados do século XVII. Depois de algumas ocupações instáveis e de várias disputas pela posse legal das terras, vai caber a Francisco Dias Velho, nobre de São Vicente, fixar-se na Ilha – já sua conhecida, pois acompanhara o pai em investidas ao gentio dos Patos. É provável que o assentamento tenha se dado por volta de 1675, em uma vez que três anos após essa data Dias Velho irá requerer do governo da capitania paulista duas léguas em quadro na Ilha, justificando ter instalado uma igreja em devoção a Nossa Senhora do Desterro, benfeitorias e culturas na referida área. A povoa contava aproximadamente com 400 habitantes, entre familiares, agregados e escravos do fundador, que se dedicavam ao cultivo da mandioca e da cana-de-açúcar,à pesca e à procura de ouro.Entretanto, a sua estabilidade duraria pouco mais de uma década. Em 1687, Dias Velho aprisiona um navio corsário que fundeara na enseada de Canasvieiras para reparos. Os piratas, segundo alguns autores, comandados pelo inglês Robert Lewis, ou pelo holandês Tomas Frins, segundo outros, são enviados para são Vicente com sua carga. A Fazenda Real apoderou-se desta, mas os prisioneiros são libertados e, dois anos depois, fazem uma excursão de vingança à Ilha de Santa Catarina, assaltando o povoado de surpresa, à noite. Dias Velho é morto ao tentar defender a família, deixada em liberdade, afinal, à custa de um resgate em víveres e suprimentos negociado pelos dois padres da povoa. Exceto José Pires Monteiro, um dos filhos do fundador do Desterro, que resolve se instalar em Laguna, os demais familiares regressam a São Paulo, abalados com a tragédia deixando pouquíssimos moradores no vilarejo. A eles iria se somar, provavelmente após 1700, Manoel Manso de Avelar, lisboeta casado em São Francisco, e sua família, tidos como segundos povoadores da Ilha de Santa Catarina. Manso de Avelar, considerado pelos historiadores como um verdadeiro déspota, torna-se o chefe da povoação e dedica-se ao “contrabando” com os navios estrangeiros que aqui aportam, trocando produtos da terra (água, lenha, frutos, peles...) por armas, pólvora e roupas. Em seu longo mandato, o povoado não cresce; um relato de 1719 afirma não ter o lugar mais que 27 casas e 130 habitantes, todos submetidos ao jugo do ditador “esfarrapado”. Este quadro, no entanto, mudaria nas décadas seguintes. Em 1723, é criada a Ouvidoria de Paranaguá, separada da de São Paulo. O primeiro Ouvidor, Dr. António Alves Lanhas Peixoto, estando em correição pelo seu Distrito, eleva, a 23 de março de 1726, a povoa do Desterro à categoria de Vila, desmembrando-a de Laguna. Uma nova época, de prosperidade, se inicia. No decorrer do século, a povoação começada por Dias Velho iria se desenvolver, impulsionada por projetos militares, pela colonização açoriana e pela pesca à baleia. |
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A INVASÃO ESPANHOLA DA ILHA DE SANTA CATARINA
24 de fevereiro de 1777 marca uma data significativa para as crônicas locais: Dom Pedro de Zeballos, comandando uma esquadra espanhola, apodera-se da Ilha de Santa Catarina sem disparar um único tiro e sem perder um único homem. O interesse espanhol pela posse da Ilha já era antigo, remontando no mínimo há dois séculos, em função das suas posições platinas. A consciência disto pelos portugueses resultara na construção de várias fortificações para a sua defesa. Nos anos que antecedem 1777, compondo uma grave conjuntura, onde o conflito de interesses entre Portugal e Espanha em relação às terras do Sul se acirravam, os lusitanos tomam medidas para reforçar as defesas da Ilha. São instalados na Desterro diversos corpos de tropa, provenientes de Pernambuco, do Rio de Janeiro e do Porto que, somados aos efetivos do Regimento de Linha da Ilha, montavam a 3.000 soldados, e uma esquadra de onze navios é destacada para policiar a costa sul-brasileira. Entretanto, os esforços de preparação da defesa se revelaram inúteis, havendo a temida invasão se consumado. A esquadra espanhola era composta de 6 naus, 7 fragatas, 7 navios de outros tipos e 100 embarcações com tropas de desembarque. O poder de fogo dos espanhóis era indubitavelmente maior; as 647 peças de artilharia de sua esquadra representava pelo menos sete vezes mais que as defesas de todas as fortificações da Ilha. O surpreendente, entretanto, é que a invasão tenha se realizado sem luta. A crônica da invasão pode ser resumida assim: a 20 de fevereiro, a esquadra espanhola fundeia na enseada de Canasvieiras; a 22, o comando de São José da Ponta Grossa avisa ao quartel-general que os espanhóis se preparam para atacar e que não dispunha de homens para a defesa; a 23, os espanhóis, sem encontrar oposição, desembarcam seis regimentos e 12 peças de artilharia e ocupam São José da Ponta Grossa; no mesmo dia, cinco navios colocam-se em posição para atacar Anhatomirim; a 24, é ocupado o Forte de Santa Cruz, onde apenas o comandante, dois soldados e cinco escravos se rendem. Com isso, não havia mais qualquer possibilidade de resistência. Das tropas portuguesas, somente 523 homens haviam permanecido na Ilha, e foram remetidos para o Prata como prisioneiros. Uma das razões que deve ser levantada para a derrota lusa é a desorganização administrativa. Devido a um conflito pessoal existente entre o brigadeiro Antônio Carlos Furtado de Mendonça, designado para a supervisão a aparato bélico, e o Governo da Capitania, Coronel Pedro Antônio de Gama Freitas, o Vice-Rei (Marquês do Lavradio) demorava sempre nas providências solicitadas pelo primeiro. Após as punições determinadas por Lisboa pelo vergonhosa derrota, apenas um oficial logrou obter reabilitação: foi Miguel Gonçalves de Leão, comandante da fortaleza de Santa Cruz do Anhatomirim, de todos, o único que não abandonou o posto na hora da luta. A Ilha de Santa Catarina foi evacuada em julho de 1778, em função do Tratado de Santo Ildefonso, assinado por Espanha e Portugal, que determinava a devolução da mesma a este último.
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A Fortificação da Ilha de Santa Catarina
No dia 14 de Novembro de 1737, o Conde de Bobadela, General Gomes Freire de Andrade, Governador do Rio de janeiro e, interinamente, de São Paulo, escrevia ao Rei D. João V demonstrando a necessidade de fortificação da Ilha de Santa Catarina e a conveniência de submeter as terras sulinas a um comando militar único. Em 14 de Agosto do ano seguinte, o Rei expedia Carta Régia, comunicando que havia determinado ao Brigadeiro José da Silva Paes que passasse à Ilha de Santa Catarina e nela edificasse uma fortificação, ao mesmo tempo que colocava os territórios do Sul sob a Jurisdição do Ria de Janeiro, desligando-os de São Paulo.Manifestava-se, assim, a preocupação do governo português ante a questão de limites com o império espanhol nessa parte da América, litígio este que perduraria por quase todo o século. Silva Paes toma posse do governo da Ilha em 7 de março de 1739 e, já neste ano, inicia a construção da Fortaleza de Santa Cruz, na Ilha de Anhatomirim, que seria concluída em 1744, cumprindo assim, a decisão real. Entretanto, ciente do extraordinário valor estratégico que os interesses lusitanos no sul – conflitantes com os dos espanhóis – conferiam à Ilha de Santa Catarina, Silva Paes dá início à construção de mais duas fortificações, além da anteriormente prevista, em 1740: São José da Ponta Grossa, na Ilha, e Santo Antônio, na Raton Grande. Deste modo, constitui-se um triângulo fortificado à barra norte da Ilha de Santa Catarina. Em seguida, no ano de 1742, provavelmente, Silva Paes dá início à Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, na Barra do Sul, que completaria o que ele julgava um sistema defencivo adequado para a Vila do Desterro. No Entanto, quando entregou o governo da Ilha a Manuel Escudeiro Ferreira de Souza, em 1748, nenhuma das fortificações havia recebido equipamento bélico. O Sistema defensivo concebido por Silva Paes seria ainda incrementado nas décadas seguintes. Entre 1761 e 1765 são construídos o Forte de São Francisco, na Praia de Fora, e a Fortaleza de Sant’Ana, na ponta da Ilha mais próxima do continente, defronte ao atual bairro do Estreito. Em 1765 é instalada a Bateria de São Caetano, quase ao lado do Forte de São Jose da Ponta Grossa, e, em 1771, começado o Forte de São Luiz, no final da Praia de Fora. Em data incerta, anterior a 1786, é levantada a Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição da Lagoa, fronteira à freguesia do mesmo nome, mas cujo local exato de construção é ignorado, mesmo porque de tal fortificação não restou qualquer ruína. A respeito da eficácia do sistema defensivo descrito, a história nos fala de forma contundente: em 1777, quando a Ilha é invadida e ocupada pela esquadra espanhola de Dom Pedro de Zeballos, as suas defesas não esboçaram qualquer reação – à exceção de quadro tiros de canhão disparados do Forte de Santo Antônio por escravos – e se renderam incondicionalmente. Mesmo assim, em 1793 é iniciada a construção de mais dois fortes: o de São João, no continente, cujos fogos deveriam se cruzar com os de Santa Bárbara, dentro da Vila do Desterro. Com eles, fechou-se o ciclo da fortificação da ilha de Santa Catarina. |
Em 06 de janeiro de 1748, desembarcaram na Ilha de Santa Catarina 461 pessoas , formando 88 “cazaes” vindos do Arquipélago dos Açores. Foram os primeiros dos cerca de 6.000 açorianos e madeirenses que emigraram para o Desterro, entre esta data e 1756.
A colonização açoriana visou dois objetivos distintos: de um lado, resolver o problema de parte da população das ilhas, que formava uma verdadeira massa de miseráveis, desprovida de terras para cultivo e sem emprego; de outro lado, atender às necessidades políticas do Reino, de ocupação das terras do Sul do Brasil, disputadas com a Espanha.Este segundo objetivo parece ter sido o mais importante: enquanto realizava sua obra na Ilha, construindo fortes e criando a estrutura da Capitania, Silva Paes chamava a atenção das autoridades portuguesas, insistentemente, para a necessidade do seu povoamento, sem o qual não adiantaria a fortificação. Entretanto, o outro também foi significativo – cabe destacar que muitos dos futuros colonos foram embarcados compulsoriamente, principalmente aqueles que se constituíram no “peso morto” das ilhas -velhos, doentes, inválidos.
O governo português determinou que a cada “cazal” fosse distribuído um lote de um quarto de légua (1650 metros) em quadro, duas vacas e uma égua, além de sementes e ferramentas. Coube ao Governador da Capitania, Manuel Escudeiro Ferreira de Souza, a tarefa de distribuir os novos povoadores pela Ilha e pelo continente fronteiro. Escudeiro fez doações de terras em pontos já conhecidos e onde já havia alguns moradores, bem como povoações novas. Na ilha, os colonos foram encaminhados para Trindade, Ribeirão, Lagoa, Ratones, Santo Antonio, Canasvieiras, Rio Vermelho e Rio Tavares.
A adaptação dos açorianos foi lenta e difícil. Sua tradicional cultura do trigo não se adequou ao clima da região,além do que as características físico-químicas do solo ilhéu, de baixos teores de fósforo, potássio e matéria orgânica, se traduzem em baixa fertilidade, não propiciando as culturas anuais. Poucos também receberam as vacas e éguas prometidas. Além disso, os braços mais fortes eram chamados ao treinamento militar – em 1754 existiam 18 “companhias de paisanos”, somando 1300 homens. Como resultado de tudo isto, as terras eram abandonadas e o trabalho agrícola substituído por ofícios urbanos diversos e pela pesca. Os que ficaram na terra acabaram por ter no cultivo da mandioca, desconhecida nos Açores, a atividade básica, e no preparo da farinha, a principal fonte de renda. A imigração açoriana coincide com o desenvolvimento das armações de baleia. Com isso, boa parte dos “colonos” acabaram se empregando na atividade pesqueira e na construção naval.
Formando a grande maioria da população da Ilha, os açorianos participaram de modo Adecisivo na elaboração da cultura local. As técnicas de pesca, o carro-de-bois, a olaria de cerâmica utilitária e decorativa, a renda-de-bilro, o “boi-na-vara” e a “farra-do-boi”, as festividades do Divino, o “pão-por-Deus”, os fandangos, etc., são herança dos filhos do Arquipélago, que ainda nos legaram uma literatura oral e uma mitologia riquíssimas, forneceram o substrato lingüístico local e desenvolveram aqui o engenho de farinha, a partir da combinação do moinho de vento com a atafona.
A CONJUNTURA PÓS-REPÚBLICA NO DESTERRO
Logo após a proclamação da República, ao tomar conhecimento da formação do governo provisório encabeçada por Deodoro, o então presidente da Província de Santa Catarina, Oliveira Belo entrega a administração do poder público a um triunvirato formado pelo comandante do 25ºBatalhão, o coronel Rego Barros, o médico militar Alexandre Bayma e o presidente do Clube Republicano “Esteves Júnior”, Raulino Horn (17 de novembro de 1889). A 24 de Novembro, este triunvirato sede lugar ao primeiro governador do Estado, Lauro Muller, então 2º Tenente do Exército, nomeado pelo governo provisório. Lauro Muller será confirmado no cargo em 11 de maio de 1891, pela recém-instalada Assembléia Estadual Constituinte. Entretanto, quem assume o governo é Gustavo Richard, na qualidade de 2º Vice-governador, uma vez que o Governador Lauro Muller e seu 1º Vice, Raulino Horn, haviam sido eleitos também deputados federais, mandatos que irão assumir.
Já a 3 de novembro de 1891 instala-se a 1º crise do regime republicano, com graves conseqüências, imediatas e remotas. Deodoro, incompatibilizado com o Congresso, dissolve-o, fazendo eclodir uma revolta armada que o obriga a renunciar, assumindo o Vice-Presidente Floriano Peixoto. Em Santa Catarina, Lauro Muller renuncia, entregando o governo a uma Junta Provisória (Cel. Reis Falcão, Tenente da Armada Arthur Diocleciano de Oliveira e Cristóvão Nunes Pires) que será substituída, em março de 1892, pelo novo governador nomeado por Floriano, Tenente Manoel Joaquim Machado. Nova constituinte é eleita, confirmando o Tenente Machado no Cargo.
Os republicanos históricos não se conformam com a perda do poder, mas ao mesmo tempo reconhecem Floriano. Ambos os campos proclamam-lhe lealdade, enquanto digladiam-se no âmbito local. Floriano, por sua vez, faz jogo duplo. Machado, não suporta a dubiedade de Floriano, renuncia, denunciando-o à Nação como “anarquizador e subversivo”. Assume o Governo o 1º Vice, Eliseu Guilherme, chefe do Partido Federalista. O Palácio é atacado e Lauro Muller compõe novo governo. Floriano declara apoio ao governo legal, agora refugiado na Capitania dos Portos, mas chama Eliseu Guilherme ao Rio, a fim de “explicar os acontecimentos”, e o encarcera. Isto a 6 de setembro de 1893, data que coincide com a explosão da Revolta da Armada, também no Rio. Dias depois, instala-se no Desterro o Governo Revolucionário, presidido pelo Capitão-de-Mar-e-Guerra Frederico Guilherme de Lorena, enquanto outro governo, legalista, é instalado em Rio Negrinho, no Norte do Estado.
A Revolta da Armada Transforma-se em Revolução Federalista, agregando os opositores ao governo central, catarinenses e gaúchos. O Governo Revolucionário de Lorena mobiliza a “Guarda Nacional” e organiza batalhões de voluntários em diversos municípios de Santa Catarina. Entretanto, o movimento careceu sempre, desde o início, de unidade ideológica, ao mesmo tempo que era eivado de disputas internas, em função do grande número de chefes. O autoritarismo do Comandante Lorena, agravando a situação, acabou por isolar completamente o seu “governo”.
Em 17 de abril de 1894, uma esquadra legalista, comandada pelo Almirante Jerônimo Gonçalves entra no porto, após ter torpedeado o Aquidaban, único exemplar da “esquadra revolucionária”, três dias antes, e um contingente de 100 homens ocupa a ciade do desterro. A 19 do mesmo mês chega o Itaipu, oriundo de Santos, com 500 praças comandados pelo coronel Antônio Moreira César que, a 22, assume o governo do Estado por determinação de Floriano.
Moreira César instala o terror no Desterro, fazendo recolher a Santa Cruz do Anhatomirim os apontados como inimigos da legalidade, inclusive muitos que não haviam participado do movimento revolucionário, fuzilando-os, em número de 185, sem qualquer julgamento. Ainda neste ano, a Assembléia Legislativa homenageia Floriano (por que?), substituindo por Florianópolis o nome da Cidade do Desterro. É este o epílogo triste do período mais conturbado da história catarinense.
A entrada da capital catarinense no século XX é marcada por profundas mudanças na fisionomia da cidade, assim como no modo de vida de sua população.
Já na virada do século, a antiga iluminação a querosene ou a gás seria substituída pela iluminação elétrica. Os bondes puxados a burro começam a transitar pelas principais ruas, até seu desaparecimento,em função do surgimento de veículos automotorizados.
No ano de 1926 é inaugurada a Ponte Hercílio Luz, estabelecendo a ligação Ilha – Continente. Tal fato terá importantes conseqüências, imediatas e remotas: praticamente desaparecerá o tráfego de lanchas e balsas pelo canal; o circuito econômico regional será reorientado, deixando de existir a função de intermediação antes desempenhada pelas vizinhas cidades de Palhoça e São José; a Cidade assumirá a condição de pólo regional e reforçará significativamente seu contato com o interior do Estado.
Mudanças mais profundas iria sofrer a Cidade em fins da década de 50 e princípios da de 60. A implantação da Universidade Federal de Santa Catarina acrescentará às funções urbanas de Florianópolis a condição de centro de ensino superior, empregando grande número de professores e atraindo expressivos contingentes de estudantes, do interior e de outros Estados, além de propiciar novos empregos diretos e indiretos. Significação semelhante, em termos de evolução econômica e demográfica, terá a instalação na Cidade de diversas empresas estatais, federais ou estaduais.
Novas facilidades de contato com o interior do Estado e com o restante do país serão dadas pela abertura da BR-101. Este acontecimento coincide com o deslanchamento, nos primeiros anos 70, da industria turística no Município, que produzirá complexas conseqüências: deterioração do patrimônio natural e cultural; desenvolvimento de novos ramos da economia, que consolida seu processo de terceirização; atração de novos contingentes populacionais; as antigas comunidades camponesas, agrícola-pesqueiras, transformam-se, na maioria, em balneários.
O desenvolvimento de Florianópolis no final deste século, altera substancialmente sua paisagem urbana. Edificações seculares, de estilos diversos, são derrubadas para dar lugar a modernos edifícios. As exigências do trânsito obrigam à construção de duas novas pontes, a Colombo Salles, e a Pedro Ivo Campos. Seis quilômetros quadrados da Baía Sul são engolidos por um aterro, cortado de rodovias e ajardinado; com ele, a velha Desterro se separa do mar, com quem manteve secular intimidade.
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